São Paulo – A prefeitura de São José dos Campos (SP) já
atendeu 235 famílias que foram desalojadas da ocupação do Pinheirinho. Segundo
nota da administração municipal, 120 dessas famílias estão de mudança para
outros endereços na cidade, 110 serão alojadas temporariamente em abrigos e
quatro receberam passagens para voltar às suas cidades de origem. Além disso,
cerca de 900 pessoas receberam alimentação, apoio para transporte e guarda de
seus bens.
No total, cerca de 9 mil pessoas viviam há sete anos em um
terreno que integra a massa falida da empresa Selecta, do investidor Naji
Nahas. Elas foram despejadas hoje (22) em cumprimento a uma decisão da Justiça
estadual de São Paulo.
A operação que começou no início da manhã mobilizou três
batalhões da Polícia Militar (PM), com mais de 2 mil homens, dois helicópteros,
220 viaturas, 40 cães e 100 cavalos. Para vencer a resistência dos moradores,
que fizeram barricadas e atearam fogo nos acessos da ocupação, a tropa de
choque usou balas de borracha e gás lacrimogêneo. Um homem levou um tiro de
munição real disparado por um guarda civil.
A PM disse que apreendeu armas brancas com os manifestantes
e pelo menos duas pessoas foram presas. Até às 16h30 a operação não havia sido
concluída.
Os ocupantes também atearam fogo em um carro de uma emissora
de TV. Em protesto contra o despejo, eles bloquearam parcialmente a Rodovia
Presidente Dutra, congestionando a via que liga São Paulo ao Rio de Janeiro. A
pista foi desobstruída por volta das 15h.
A ação passou por cima de um acordo acertado na última
quarta-feira (18) que suspendia por 15 dias o processo de falência da Selecta
e, consequentemente, a reintegração de posse. Os moradores dizem ainda que
conseguiram na sexta-feira (20) uma liminar no Tribunal Regional Federal da 3ª
Região contra o despejo. A PM, no entanto, diz que as decisões federais não
sobrepõem a determinação da Justiça estadual, que decidiu pela reintegração.
Agência Brasil – Repórter - Daniel Mello

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